quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

O mundo não para



Descobri, talvez muito tarde, que o mundo não para e nem dá um tempo para que agente possa resolver nossos conflitos. Muito ao contrário. Enquanto não nos alinhamos com o modus operandi sistêmico, recebemos cobranças de todos os lados. Já me deu vontade de criar, se é que já existe e eu não sei, uma associação em prol das pessoas com transtornos mentais. Sério. Não somos preguiçosos, desleixados e muito menos incompetentes; na verdade, o que ocorre geralmente é o oposto. Temos intuição, somos inteligentes, pensamento rápido, vontade de aprender, enfim, muitas qualidades que são até mesmo raras. Parece que temos um dispositivo que nos torna acelerados e este mundo é lento. Rápido perdemos o interesse, a concentração e a motivação. "Ser um vencedor" não nos serve. Queremos mais, mais do que geralmente podemos encontrar por aí. Então, por essas características, muitas vezes nos desajustamos ao ambiente, seja no trabalho, no ensino, na família. Ausências, não cumprimento de horário, prazos, acordos, dificultam nossa vida cotidiana e por isso somos alvos de todo tipo de crítica. Uma associação em defesa de pessoas como nós poderia lutar por nossos direitos e, principalmente, pelo reconhecimento de que portamos um transtorno mental, e não somos indolentes.  Quem sabe isso um dia aconteça.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Marido Bipolar



Vou fazer dois anos de casado exatamente daqui há um mês. Não foi nem tem sido fácil chegar até aqui. Casamento não é fácil, isso todo mundo sabe. Mas para um bipolar como eu as coisas se tornam ainda mais difíceis. Todos nós precisamos de segurança, claro. Em um relacionamento então isso é vital e, neste período de conúbio, tenho tido complicações em passar segurança. Explico. Sou volúvel; não tenho pontos de apoio. Uma hora sou um amor e, de repente, explodo em grosserias. Deve ser somado a isso tudo uma inabilidade social que tenho desde criança, que faz co que eu tenha dificuldade em negociar. Basicamente, vou aguentando, aguentando para, em seguida, acabar com tudo. Bem, vocês já devem imaginar quantas vezes rompi o relacionamento com minha esposa. Nas contas dela, foram uma vez por mês no primeiro ano, naquele período, "TPM". Imaginem quão desestabilizada minha querida mulher fica no meio disso tudo. Havia tempos não terminava, mas recentemente, num acesso de cólera, terminei novamente. Fico muito triste depois de tudo, arrependido por minha debilidade e por fazer tão mal para ela, a quem amo tanto. Enfim, penso que com as experiências podemos aprender os mecanismos para não repeti-la quando negativas. Estamos seguindo, mesmo passando por isso tudo, pois há um amor muito grande entre nós, e o amor supera.

Te amo Milleny!!!

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Terapia Ajuda?

Sim, ajuda. Mas não vá pensando que o psicólogo vai te salvar, pois não vai. Somente você mesmo, com seus recursos internos (para usar uma expressão da minha mãe), com o suporte da medicação, se for o caso, que pode realmente fazer avançar o quadro.

Considero a terapia como uma sessão de descarrego privada com alguém que recebeu um treinamento para te escutar. Agente pode exercitar o autoconhecimento, e o psicólogo entra com a orientação e algumas ponderações que clareiam nossos insigths a respeito de nós mesmos. Isso é muito importante. Devemos nos investigar, procurar os motivos, os mecanismos, os estímulos que nos levam ao comportamento indesejado. O terapeuta oferta soluções, indica o quanto estamos avançando no processo de autoconhecimento e te motiva à mudança.

Aqui entra o fator mais difícil: mudar. Mudar comportamentos, hábitos que, em sua maioria, começam em nossa própria mente, não é fácil. Muitas vezes nos falta a motivação. Segundo a Terapia Cognitivo-Comportamental, um paciente com falta de motivação pode até ser considerado não habilitado ao tratamento.

Por fim, dois pontos: primeiramente, a terapia, por sua própria definição, deve ser um processo longo, porém persistente e constante. A paciência e a constância aqui são  imprescindíveis. Em segundo lugar, você deve encontrar um psicólogo, ou psicóloga, o qual se sinta à vontade. Estou satisfeito com minha atual psicóloga, pois ela permitiu as reflexões que, entre outras coisas, geraram este post. Mas já passei por terapeutas que mais me pressionavam do que facilitavam meu autoconhecimento. Bem, comigo não funcionou, mas cada um tem seu perfil.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Para começar

Escrevo agora de madrugada. Vou dormir mais tarde pela ansiedade de publicar este blog.  A ansiedade é contraditória. Ao mesmo tempo que te bloqueia ante os medos, te impulsiona para os desafios os mais arriscados. Emoção. O bipolar gosta disso.

Enfim. Por essas e outras quis criar este blog. Já é senso comum dizer que o numero de pessoas com transtornos emocionais, comportamentais, de humor, etc. está aumentando. Inclusive entre infantes. Pois bem, escrevo pra dizer que nossa vida não é fácil. Que aparentemente somos normais e nos cobram por isso. Não que tenhamos uma deficiência, longe disso, mas o que pra maioria é fácil, rotineiro, algumas vezes pra nós é extremamente difícil.

Quero compartilhar minhas dificuldades. Se tiver sorte, quem sabe receberei o eco daqueles que passam pelas mesmas situações.

Obrigado e boa noite.